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Inusitado é pouco: confira a galeria de fotos de um pico próximo à Foz do São Francisco

As descobertas de novas ondas mundo afora fazem parte da essência do surfe

Escrito por

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Publicado em:

12/04/2022

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Atualizado em:

20/05/2022

-

14:09

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4 min de leitura

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(Alex Memol se prepara para um tubo nas direitas pouco exploradas do pico no Sergipe – Foto: Richard Barros)

 

As descobertas de novas ondas mundo afora fazem parte da essência do surfe. Ondas perfeitas, em lugares paradisíacos como Mentawaii, Maldivas, El Salvador, Costa Rica, são sempre lembrados como algumas das conquistas de quem procura seu paraíso. Contudo, lugares inusitados e muitas vezes inóspitos, povoam o imaginário de todo explorador que se preze.

Nesse quesito as conquistas são várias: desde ondas em rios, pororocas, passando pelo Alasca, e até Polo Norte e Antártida. No Brasil temos ondas que quebram em rios – destaque para as várias Pororocas – , bancadas rasas no meio do oceano, ilhas, entre outros locais. Porém alguns picos fogem até mesmo do radar dos mais atentos. O fotógrafo Richard Barros é um desses exploradores que buscam, além de boas ondas, estes locais inexplorados e selvagens. (GALERIA DE FOTOS NO FINAL DA MATÉRIA)

 

Em sua última descoberta, Richard, que é surfista e mergulhador de águas profundas, mapeou um pico em uma nova foz do Rio Mangabeira, próxima à foz do Rio São Francisco, em Sergipe. O lugar tem um visual que nada lembra os paraísos tradicionais do surfe, com ponta de árvores, água escura, areia deserta, um cenário que a princípio não inspiraria ninguém a surfar, mas que de acordo com o fotógrafo oferece altas ondas.

“Eu já tinha surfado em 2012 com o Alexandre Ribeiro, o Xadinho, que mora lá em Bali. Ele me chamou, jogamos um jet-ski no Rio São Francisco e surfamos bem próximo de sua foz. Lembro que tinha uma ilha gigante de areia bem em frente à foz, inclusive com pequenas moradias, só que com o tempo mudou tudo e a ilha sumiu pois o mar “comeu” tudo…ali tá sempre tudo em movimento. Em 2017 voltamos a fazer outra expedição e dessa vez antes de partirmos, a gente olhou no Google Earth e vimos essa nova foz no rio Mangabeira. Além disso, conversamos com os pescadores locais, que nos falaram dessa foz. Quando um pescador falou: “Ih, vocês viram que estourou uma outra foz”, a gente foi lá no Google e checamos. Olhei e na foto nova já constava essa nova ligação entre o mar e o rio”, conta.

(Visual pra lá de inusitado do pico – Foto: Richard Barros)

 

A descoberta é completamente diferente dos outros picos da região: sem sinal de celular, energia elétrica, alimento, nada por perto. Tirando isso, a região tem a fama de ser berçário de tubarões “cabeça-chata” e não se sabe do que é feito o fundo do novo pico. Richard explica que já pensou em fazer uma barca com mais pessoas, mas desistiu por conta das dificuldades de logística:

“Você sai de Aracaju 90 km até Ponta dos Mangues e de lá leva mais 1 hora de lancha pelo Rio Mangabeira, em direção ao Rio São Francisco. E essa foz que estourou fica a cerca de 4 km antes do Rio São Francisco, do lado de Sergipe. Eu meu amigo Alex Siqueira estávamos organizando pra ir de repente um grupo, mas é bem distante. Pra você ter uma ideia em uma lancha com motor de 40 HPs, a gente demora cerca de 1 hora e pouco, pelo rio. Ainda por cima tem o boato de que lá é o berçário do Tubarão Cabeça-chata; e muita gente me manda mensagem pra eu evitar fazer foto aquática lá,  que eu já fiz inclusive, nessa ocasião me deparei com muitos troncos dentro da água. É um lugar que está o tempo todo em movimento por conta da ação do oceano e do rio. Por isso cancelamos essa ideia, porque em caso de acidente estaríamos em um lugar muito longe e teríamos que ter uma estrutura muito boa e essa logística é complicada”, afirma.

(Paulinho Costa checando e aprovando o potencial do pico – Foto: Richard Barros)

O fotógrafo conseguiu fazer boas imagens do local e sobre as condições, ele dá o mapa para quem quer checar:
“Rola com a swell de sul e vento de leste/nordeste fica uma direita longa, tubular, bem cavada mesmo. Já com o swell de sul, com influência de sudeste, abre uma esquerda, mas geralmente fica bom mesmo com ventos do quadrante Norte, e nessa época do ano rola direto com essas condições. Então se for bater um swell de sul, com influência de sudeste, vai quebrar. É um pico mais de direita, porque você vai em direção ao rio surfando dentro da floresta. Tem uma outra onda que quebra em frente a essa foz – é uma onda que abre para ambos os lados -, mas ninguém surfou lá. Já fui de barco perto, só que é bom com maré bem vazia 0/0 mas quando eu fui estava com a maré “morta”. Na real como te falei, têm vários picos e estamos mapeando. É uma logística trabalhosa e cara mas é um lugar paradisíaco, você surfa a onda e ela vai entrando pela floresta!”, conta ele lembrando da dificuldade de se mapear as bancadas:

(As direitas perfeitas do pico – Foto: Richard Barros)

 

“A Foz está em movimento e toda hora muda. Tem essa onda que eu fotografei e tem várias bancadas de pedra no outside e é um lugar que ainda está sendo descoberto. Nunca vi ninguém surfando lá, sempre vou com os amigos somos apenas nós no pico. Tem que pegar um carro de Aracaju até lá, só ai já são 90 km, parar no porto de Ponta dos Mangues, pegar uma canoa e viajar duas horas, e o canoeiro vai te deixar lá mas não vai ficar contigo. Então você fica abandonado e por conta de todos esses perrengues a gente está desfrutando do pico sozinho”, conclui.

Foz do Rio Mangabeira-Sergipe.

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