Isaac Benayon Sabbá, o terceiro dos sete filhos do casal de marroquinos Primo e Fortunata Sabbá, nasceu em Belém do Pará, em 1907. Aos 15 anos de idade acompanhou os pais na mudança para Manaus, capital do estado de Amazonas.
O paraense ascendeu profissionalmente. Construiu o maior império empresarial do Amazonas a partir da produção e exportação da borracha. Sensível as carências de energia para o desenvolvimento da região, Isaac fundou, em plena selva amazônica, a Companhia de Petróleo do Amazonas, a COPAM, inaugurada em 1957 pelo Presidente da República, Juscelino Kubitschek. A COPAM, símbolo de uma época, foi nacionalizada posteriormente.
Samuel Benayon Sabbá, irmão e um dos seus sócios nos negócios, casou-se com Yecthel Dutra de Oliveira e escolheu o Rio de Janeiro para viver e empreender. Foi no Edifício Murça, situado na avenida Rui Barbosa 460, entre o Botafogo e o Flamengo, que o casal e seus quatro filhos moravam.
Os apartamentos no Murça eram muito caros, mas a condição de Samuel lhe era favorável. O patriarca tinha seis carros e cada filho um motorista. Os vizinhos eram poderosos, entre eles Joãozinho Príncipe, da Família Real, Gastão Veiga, Beto Salles, José Luiz Talarico e Jandira Vargas, irmã do Presidente Vargas.
Entre seus filhos, Daniel Dutra Sabbá, nascido em 23 de fevereiro de 1955, tornou-se conhecido no mundo do surfe e do entretenimento. Ainda pequeno, Daniel Sabbá já vestia a roupa de borracha, munia-se com um arpão na mão e sua máscara na outra, atravessava a rua, mergulhava e voltava para casa com um polvo, uma lagosta, um badejo, ostras ou mariscos.
Seus anos de infância passaram no mar. Aos 13, Sabbá e os amigos Ronaldo, Carlinhos e os Big, já se aventuravam até Cabo Frio, tomavam uma traineira e mergulhavam nas cristalinas águas de Arraial do Cabo, no Costão do Focinho. Inevitavelmente dormiam no barco. Sabbá vivia para o mergulho. Mas quando descobriu o surfe, se apaixonou.
A descoberta veio com a mudança para a rua Djalma Ulrich, em Copacabana. Sabbá começou pegando jacaré no Posto 5. Depois aprendeu a surfar com uma pranchinha Planonda de isopor e uma Procópio de madeirite. Aos 15 anos o surfe entrou de vez na sua vida. No início ele emprestava a moto para o amigo Cesinha, da Urca, em troca da sua Hansen biquilha. Tempos depois ele comprou um longboard usado e velho do Pato Rouco, um surfista irreverente. Foi com essa prancha que Sabbá aprendeu a pegar as ondas estouradas no Arpoador, reduto do surfe pioneiro carioca.
Sabbá estudou até a quinta série primária no Barilan, um colégio judaico, onde também estudava o surfista Daniel Friedmann. Lá ele aprendeu hebraico e realizou seu Bar Mitzvá. Anos depois Sabbá se especializaria em televisão, edição, filmagem, rádio.
Daniel Sabbá tornou-se um ícone na cena do surfe carioca, um dos primeiros a surfar no Píer de Ipanema. Faixa preta no jiu-jitsu, Sabbá integrou a poderosa arte marcial da família Gracie com a turma de surfistas. Ele também foi um dos pioneiros da asa delta no Rio, ao lado do campeão mundial Pepê. No início dos anos 2000 comandou e apresentou o Sabbá Show, um programa de entretenimento da TV Band e CNT. O ex-surfista também atuou na TV Globo e participou de novelas como Paraíso Tropical, Belíssima, América e Pecado Capital.
No sábado, dia 21 de março, Sabbá, que é pai de João Paulo, tornou-se uma lenda aos 70 anos e deixa um enorme legado para nossa cultura de praia.
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Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi – o Pardhal