
Lorenzo Abreu | Foto: Divulgação
Aos poucos o surfista carioca Lorenzo Abreu, 11 anos, vem construindo seu caminho no surfe competitivo. Em 2026, o jovem atleta tem se destacado em diferentes categorias e segue na disputa por posições importantes nos rankings estaduais e regionais. Para ampliar seus horizontes dentro d’água, ele embarcou em sua primeira surf trip internacional, com destino a El Salvador, onde encontrou ondas longas e perfeitas, surfou picos conhecidos mundialmente e compartilhou sessões com Raoni Monteiro, ex-integrante da elite mundial do surfe.
Mais do que conhecer novas ondas, a viagem serviu para aprimorar manobras, observar detalhes técnicos e adquirir experiência ao lado de um surfista que já representou o Brasil no Championship Tour (CT). De volta ao Recreio, Lorenzo destaca a evolução no cutback e na rasgada, além dos aprendizados que pretende levar para as próximas competições da temporada. Entre seus objetivos estão a disputa pelos títulos estaduais e a classificação para o Brasileiro de 2027.
Na entrevista a seguir, Lorenzo conta como foi sua primeira experiência internacional, fala sobre os conselhos recebidos de Raoni Monteiro, avalia a temporada de 2026 e revela suas ambições dentro do esporte.

Lorenzo Abreu | Foto: Divulgação
Como foi a experiência de viajar com um ex-integrante da elite do surfe mundial, o Raoni Monteiro?
Foi uma trip irada! Somos amigos e sou muito amigo do filho dele, o Keahi. É sempre bom surfar com alguém que já chegou aonde a gente deseja chegar, né? O Raoni já foi do CT, representou o Brasil por muitos anos, e ter ele no nosso dia a dia e durante uma trip faz toda a diferença, porque ele tem muita experiência.
Como foi fazer sua primeira surf trip internacional?
Foi irado demais! Quando cheguei lá e vi aquelas ondas longas, lisinhas e quebrando perfeitas, parecia que eu estava dentro de um filme! Fiquei muito emocionado, porque era uma coisa que eu sempre tive vontade de viver. Poder estar ali, ver aquelas ondas de perto e surfar tudo aquilo foi uma sensação muito especial. Foi minha primeira trip internacional e, com certeza, uma experiência que vou guardar para sempre!

Lorenzo Abreu | Foto: Divulgação
Foi irado demais! Quando cheguei lá e vi aquelas ondas longas, lisinhas e quebrando perfeitas, parecia que eu estava dentro de um filme! Fiquei muito emocionado, porque era uma coisa que eu sempre tive vontade de viver. Poder estar ali, ver aquelas ondas de perto e surfar tudo aquilo foi uma sensação muito especial. Foi minha primeira trip internacional e, com certeza, uma experiência que vou guardar para sempre!
Quais picos você mais gostou de surfar em El Salvador?

Lorenzo Abreu | Foto: Divulgação
Gostei de todos, mas os que mais me marcaram foram o KM 59, Mizata, Las Flores e Punta Mango. Cada pico tinha uma onda diferente, e foi muito irado conhecer e surfar cada um deles!
Qual foi a maior onda que você surfou durante a viagem?
Surfei Punta Mango com 2,5 metros e Las Flores com 2 metros. Estavam bem grandes, são ondas incríveis.
Qual foi a principal dica que o Raoni te deu durante a viagem?
A principal dica foi não alongar tanto as manobras, subir mais na vertical e também prestar atenção na cultura local e respeitar os surfistas locais.
Você já tem planos para a próxima surf trip internacional?
Meu pai está pensando em irmos para o Panamá ou para o Peru. Ainda estamos decidindo, mas a ideia é fazer outra trip no início do ano.

Lorenzo Abreu | Foto: Divulgação
O que você acha que melhorou no seu surfe depois da viagem a El Salvador?
Acho que meu cutback e minha rasgada melhoraram muito. Senti uma evolução nessas duas manobras durante a viagem.
Vocês chegaram a fazer algum tipo de exercício simulando baterias ou algum treino direcionado para competições em El Salvador?
Não. A gente não foi com o objetivo de fazer um treinamento específico para competições. Cada um foi para curtir a trip, se divertir e conhecer os picos. A cada caída, a gente comentava sobre as manobras e as ondas que cada um pegava. O Raoni já conhecia El Salvador, mas para mim foi a primeira vez.
Como você avalia sua temporada de 2026 até agora? Quais resultados mais te deixaram feliz e em quais campeonatos você sentiu que poderia ter ido melhor?
A minha temporada tá sendo bem competitiva. Tô indo bem nas competições que eu tenho competido. Tô liderando o ranking da ASN em Niterói – Itacoatiara, tô liderando o ranking do Circuito Cyclone – Recreio e tô disputando o ranking também no estadual do Rio.
Competições que eu poderia ter ido melhor, que eu deixei a desejar, foram a seletiva do Brasileiro no Espírito Santo, em que eu não fui bem na bateria e acabei não me classificando pra Final do Brasileiro em Navegantes; o Hang Loose, no Guarujá; o Rip Curl Grom Search, em Maresias, em que cheguei até a semifinal; e a primeira etapa do estadual, em Quissamã, que eu acabei não indo bem nas categorias que competi, que foram a sub-12 e a sub-14.
E agora consegui me tornar campeão da segunda etapa do estadual na sub-14 e vice-campeão na sub-12. Então vai ter mais uma ou duas etapas para definir o campeão estadual do Rio, e eu tô na briga e focado pra isso, pra que eu também possa me classificar pro Brasileiro de 2027.

Lorenzo Abreu | Foto: Divulgação
Você tem competido em categorias acima da sua idade e enfrentado surfistas mais velhos. O que muda na água quando encara adversários com mais experiência e força física?
Eu tenho ido bem nas categorias acima. Eu sou sub-12. Esse ano eu disputei o campeonato lá de Grumari, fiquei em quarto lugar na Open e em terceiro lugar na sub-16. Fui campeão na sub-16 do Circuito Cyclone, fui campeão da segunda etapa do estadual do Rio, em Quissamã, na sub-14, e tenho tido bastante representatividade nas categorias acima.
Eu entro concentrado porque sei que são atletas maiores do que eu, têm mais força, mais remada e mais explosão. Então procuro prestar mais atenção nas ondas, fazer o meu surfe para conseguir um bom resultado. Não fico focando muito nos atletas, porque senão vou acabar achando que eles são muito fortes e não vou conseguir me concentrar. Os aéreos e as batidas chutando a rabeta apareceram entre as manobras que você mais evoluiu na última temporada.
Qual é a manobra que está trabalhando mais nos treinos atualmente?
As manobras que eu mais venho treinando e aperfeiçoando são as batidas chutando, os laybacks e os aéreos. Hoje eu já consigo dominar mais os aéreos, tá saindo, tá ficando no pé e, a cada dia, tô tentando evoluir pra fazer os aéreos rodando.
Quem são seus maiores ídolos hoje? O que você tenta aprender observando surfistas como Filipe Toledo, Gabriel Medina ou outros atletas que admira?
Meus maiores ídolos no surfe são o Filipe Toledo e o Gabriel Medina. Admiro também o Raoni Monteiro e outros.
Quando você assiste a um vídeo seu surfando, o que costuma observar primeiro? O que ainda falta para chegar ao nível de surfe que quer apresentar nas competições?
Quando eu assisto a um vídeo meu surfando, fico avaliando a minha movimentação corporal e se as minhas manobras estão de fato verticalizadas, porque é o que importa pros juízes, né? Assim como eu falei, o Raoni me deu muita dica pra eu não alongar muito a manobra e sim fazer as manobras verticalizadas. Então eu tento entender se isso tá acontecendo.

Lorenzo Abreu | Foto: Divulgação
Você treina no Canto do Recreio, mas o Rio tem picos com características bem diferentes. Em qual praia sente que seu surfe funciona melhor e qual onda gostaria de dominar ainda mais?
Eu gosto muito de surfar aqui no Canto, que é o meu quintal de casa, e gosto muito de quando vou surfar lá na Barra, que é uma onda um pouco mais tubular e eu gosto de performar nela. Gostaria de dominar mais a onda de Itacoatiara, que é uma onda mais pesada e tubular também.
Qual foi a bateria mais difícil ou emocionante que você disputou em 2026? O que aconteceu naquele confronto e como conseguiu lidar com a pressão?
Esse ano eu tive várias baterias emocionantes, mas a que realmente foi muito disputada foi a da segunda etapa do Estadual do Rio, na final sub-12, quando o Noah Gouvea já abriu a bateria fazendo um 8,75 e depois eu peguei uma onda, consegui fazer um 8 e a bateria foi andando. Foi uma bateria bem disputada do início ao fim.
O que você aprendeu nas competições deste ano que não se aprende apenas treinando? Você sente que está tomando decisões melhores durante as baterias?
Ah, eu aprendi a marcar, ter mais atenção na preferência e induzir no momento certo. Acho que foi a minha maior experiência desse ano competitivo.
Hoje, quando entra em uma competição, pensa mais em vencer, somar pontos no ranking ou executar o surfe que vem treinando? Como define sua estratégia para uma bateria?
Quando eu entro numa bateria, penso em ganhar, que é o objetivo de todos os surfistas: entrar e ganhar, para liderar o ranking e para me aperfeiçoar cada vez mais, evoluir e poder alcançar o objetivo final, que é chegar ao CT.

Lorenzo Abreu | Foto: Divulgação
Você já tem uma rotina de treinos bastante intensa para sua idade. Como consegue equilibrar a preparação para os campeonatos com a escola, os amigos e a vida fora do surfe?
Então, a rotina de treino faz parte do meu dia a dia. Treinar pra mim é me divertir, porque eu gosto. Eu também ando de skate, jogo bola, estudo e tenho uma rotina bem equilibrada.
O Recreio tem uma cena de surfe muito forte, com atletas experientes e uma nova geração que vem aparecendo. Quem são os surfistas locais que mais ajudam você a evoluir e como é essa convivência dentro d’água?
Gosto de ver o Cauã Costa, o Samuel Igo e o Pedro Neves surfando. Já na nova geração, tem o Petrus, o Phellype Silva e o Guilherme Lemos.
Se pudesse escolher uma onda para surfar agora, em qualquer lugar do mundo, com um surfista profissional ao seu lado, qual seria o pico, quem seria o parceiro e o que gostaria de aprender nessa sessão?
Mentawai, na Indonésia. Gostaria de surfar com o Gabriel Medina e aprender o aéreo rodando, que eu já executo muito bem no skate.
