O Rio Surf Pro 2026 terminou em alto nível na segunda-feira (6) de boas ondas no Arpoador. O saquaremense Rickson Falcão e a ubatubense Luiza Savoi domaram as esquerdas do berço do surfe carioca e foram os campeões da etapa que abriu o Circuito Estadual de Surf do Rio de Janeiro na temporada, que contou com o patrocínio da Prefeitura do Rio de Janeiro, através da Secretaria Municipal de Esportes.

Rickson Falcão – Foto: Luiz Blanco.
Se a última impressão é a que fica, o Rio Surf Pro 2026 foi um espetáculo de surfe. A etapa teve período de espera entre 1 e 6 de julho e a previsão indicou os últimos dois dias como os melhores para o Arpoador, porém uma frente fria mudou um pouco o panorama. O evento começou no domingo (5), em condições fracas para o esporte, com vento maral forte e ondulação de sudoeste, ruim para o berço do surfe carioca. Mas a segunda-feira (6) amanheceu com condições limpas e, a partir das quartas de final, a magia aconteceu. As esquerdas ganharam tamanho, passaram a aparecer com frequência em séries de mais de 1 metro, tanto na laje do Jacaré quanto no Pontão, e ofereciam excelentes seções para manobras expressivas.
O evento, que contou com atletas de cinco estados, além de um francês e um colombiano, começou com a triagem local, vencida por Rômulo “Bula” do Patrocínio. Ainda no primeiro dia, foram realizadas as duas fases iniciais da categoria masculina. O destaque ficou com Wiggolly Dantas, surfista de Ubatuba que conhece bem o Arpoador, e que avançou pelo Round 2 com o maior somatório do dia: 14.40 pontos (7.50 e 6.90).

RioSurfPro – Foto: Luiz Blanco.
As mulheres abriram o segundo e último dia do Rio Surf Pro 2026, e a ubatubense Maeva Guastalla conquistou o maior somatório da primeira fase delas (9.35), dando sinais de que poderia ir longe na etapa do estadual do Rio de Janeiro. Na sequência, entraram os homens para o Round 3 e, logo depois, começaram as quartas de final.
A final masculina colocou o saquaremense Rickson Falcão e o local do Arpoador, Anderson Pikachu, frente à frente pela terceira vez no Rio Surf Pro 2026. Os dois, que estrearam na terceira fase da etapa, competiram e avançaram juntos nas mesmas baterias, das quartas até a decisão, e o placar entre eles chegou empatado na final.
Pikachu levou a melhor nas quartas, tendo a melhor atuação da bateria: 7.25 pontos, nota conquistada no início do confronto com três ataques, sendo a batida final o mais expressivo. Ele avançou com 12.25 contra 11.25 de Rickson. O atleta do circuito Challenger Series, o ubatubense Weslley Dantas (3º), foi eliminado junto com o quatro vezes vice-campeão do Rio, o carioca Pedro Neves (4º).

Anderson Pikachu – Foto: Luiz Blanco.
Pikachu começou bem na semi (6.15), mas Rickson anotou 8.75 aos cinco minutos, numa onda que começou lenta na área do Pontão, mas que, no meio da praia, ficou em pé e ele executou um snap e uma forte pancada na junção. O placar entre eles ficou 13.75 a 13.70 pontos. O cearense Cauet Frazão (3º) e o campeão estadual do Rio em 2023, o saquaremense Daniel Templar (4º), foram eliminados.
A final masculina teve 25 minutos e foi paralisada aos 7. O cabofriense Pablo Gabriel ficou ativo no início e largou com 4.25 pontos, mas um problema na placa de prioridade confundiu os atletas. O argentino radicado em Búzios, Facundo Arreyes, e Pikachu surfaram a mesma onda, e todos foram chamados para uma reunião com o head judge. A questão foi resolvida rapidamente entre a comissão técnica e os finalistas, e os atletas voltaram rápido para a água num “resurf”, com a disputa começando do zero.
Profundo conhecedor do pico, Pikachu largou aos três minutos com 4.85 pontos numa esquerda que ele rasgou, bateu e caiu na volta de um floater. Rickson respondeu no minuto seguinte com 5.00, nota conquistada numa esquerda menor, mas que ofereceu boas seções para o saquaremense. Pablo atuou em seguida e se manteve no jogo com 5.50 pontos após finalizar uma onda com forte batida na junção. Antes de retornar para o pico, Pikachu encontrou uma onda curta, mas de bom tamanho e em pé no meio da praia. Ele dropou e bateu forte, de maneira vertical. A atuação valeu 7.25 e ele abriu vantagem no placar.
A final masculina seguiu sem mudanças até os 12 minutos finais, quando Pikachu usou a prioridade, mas não conseguiu mostrar seu surfe e não mexeu no placar. Rickson usou o direito de escolha de onda no minuto seguinte e encostou no primeiro colocado. O saquaremense abriu a apresentação com cutback, depois rasgou e bateu. Ele comemorou a atuação. A nota 7.05 colocou o atleta em segundo lugar. Ele ficou na necessidade de 5.06 para vencer.
Uma onda apareceu a três minutos do fim. Pablo, que tinha a prioridade número 1, e Pikachu, que tinha a segunda, não deram atenção à onda, e Rickson aproveitou. O surfista executou três rasgadas e uma batida. A performance valeu 5.85 e ele assumiu a liderança para não sair mais. Pikachu finalizou em segundo lugar, Pablo em terceiro e Facundo em quarto.
“A bateria foi uma loucura! A gente tinha começado a bateria e acabou que teve que reiniciar por um problema da placa de prioridade, mas acabou que, no final ali, eu cometi alguns erros, mas deu tudo certo, acabei sendo esperto e pegando uma onda no final que ninguém estava olhando para ela, e eu vi um potencial nela e consegui fazer um surfe seguro para conseguir a virada”, disse o campeão do Rio Surf Pro 2026, Rickson Falcão, que continuou. “Esse é um campeonato importante, só tinha monstro, foi alto nível, eu também estava precisando de uma grana, não vou mentir [risos]. É isso, eu amo o Arpoador, o Rio de Janeiro! O Arpoador foi o lugar que eu ganhei meu primeiro campeonato da minha vida em 2015 e todas as vezes que eu vim para cá eu ganhei. Feliz que nada mudou, mas máximo respeito a todos que estavam na final, principalmente o Pikachu, que deu bastante trabalho ali o tempo inteiro. É isso, amarradão, vou levar essa vitória para Saquarema”.

Mayara Zampieri – Foto: Luiz Blanco.
Final feminina – Três surfistas do Estado de São Paulo e uma do município de Búzios formaram a decisão feminina. A bateria começou a ganhar forma aos cinco minutos. A surfista da Região dos Lagos, que atualmente vive em Saquarema, Paloma Olivero, tinha a terceira prioridade e entrou na mesma onda que a atleta de São Sebastião, Mayara Zampieri, que ainda não tinha atuado no confronto, e que Maeva, que também fazia sua estreia no duelo e que entrou na esquerda estando mais dentro do pico. Duas interferências foram anotadas. Paloma passou a contar apenas uma onda, e Mayara teve como penalização a perda de 50% de sua segunda maior nota.
A ubatubense Luiza Savoi começou a dar as cartas aos sete minutos. Ela usou a prioridade e acertou forte batida de backside para colocar 6.50 pontos no somatório. Logo depois, Mayara anotou 4.00 e, a sete minutos do término, foi em busca dos 7.00 que precisava para assumir a liderança. Ela anotou 6.00 com rasgada e batida e foi para o segundo lugar.
Luiza aumentou a vantagem em cima das adversárias a dois minutos do fim com três ataques que valeram 4.25 pontos. Paloma ainda teve tempo de executar duas boas manobras que valeram 6.00, porém ela ficou longe do primeiro lugar. O tempo chegou ao fim e Luiza comemorou a vitória no Arpoador. Mayara foi a vice-campeã, enquanto Paloma terminou em terceiro e Maeva em quarto.

Luiza Savoi – Foto: Luiz Blanco.
“Nossa, eu tô muito feliz! Tem altas ondas! Muito bom, muito feliz por surfar aqui com só 4 pessoas na água, muito bom. Primeiro campeonato que eu competi aqui no Rio, então eu tô muito feliz. Obrigada!”, contou a campeã Luiza Savoi.

Marcelo Boscoli, Fred-D’Orey, Cauli Rodrigues e Luis Leal – Foto: Luiz Blanco
Bateria especial “OSP 85” – O dia das finais ainda contou com homenagem a Cauli Rodrigues, um dos melhores surfistas da história do esporte no Brasil e vencedor do primeiro circuito estadual do país, o OSP 85. Também participaram da bateria de apresentação outros grandes nomes do surfe, que levaram o nome não só do Rio de Janeiro, mas do Brasil a diversas partes do mundo, como Fred D’Orey, Marcelo Boscoli e Luis Leal.
Na festa do pódio, Bruno Ramos, secretário municipal de Esportes do Rio de Janeiro, confirmou o patrocínio para mais uma etapa do estadual nesta temporada.
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O Rio Surf Pro 2026 é apresentado pela Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Esportes (SMEL), com realização da Federação de Surf do Estado do Rio de Janeiro (FESERJ). O evento conta com suporte do Arpoador Surf Club (ASC) e do Favela Surf Clube (FSC), além do apoio da Keahana, Guarderia Surf Club, Trust, Açaí Soul e Gymee, e apoio institucional da Rio Luz e da SUDERJ.
Rio Surf Pro 2026
Final do Masculino
1º Rickson Falcão (RJ) 7.05 + 5.85 – 12.90
2º Anderson Pikachu (RJ) 7.25 + 4.85 – 12.10
3º Pablo Gabriel (RJ) 5.50 + 3.75 – 9.25
4º Facundo Arreyes (RJ) 4.20 + 2.00 – 6.20
Final do Feminino
1ª Luiza Savoi (SP) 6.50 + 4.25 – 10.75
2ª Mayara Zampieri (SP) 6.00 + 4.00 – 8.00
3ª Paloma Olivero (RJ) 6.00 + 4.25 – 6.00
4ª Maeva Guastalla (SP) 4.10 + 0.90 – 5.00



