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Clássico: Carlos Roberto L’Astorina de Andrade, o Mudinho

Aos nove anos ganhou sua primeira prancha, daquelas de isopor, Planonda, que fez parte das nossas vidas. Mas o Mudinho queria mais, queria ficar de pé nela, como faziam no Arpoador, os jovens mais velhos como Cyro e Irencyr Beltrão (este que criou as pranchas de Madeirit)

Escrito por

Ayres Pacheco Moura

|

Publicado em:

13/10/2022

|

Atualizado em:

13/10/2022

-

17:26

|

5 min de leitura

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Carlos Mudinho é uma lenda viva do surfe brasileiro – Foto: Flor Yanez

Voltemos ao fim da década de ’40, mais precisamente ao dia 13 de Junho de 1949. Leme, no Rio, onde vem a luz um garoto, que os pais logo descobrem ser surdo. Ele é Carlos Roberto L’Astorina de Andrde. Logo o garoto já mostrava a que veio, pois seu pai precisava contê-lo desde os nove meses de idade, já que nunca temeu o mar, imprudentemente invadindo e jogando-se ao fundo na praia.

Foram, anos depois, para o Jardim Botânico passando alguns anos ali. Aos treze anos, mudam-se para um idílico Leblon, quase uma cidade do interior, nada a ver com a “elite” que hoje o ocupa, quase só de casas e, no máximo, prédios baixos, com vida tranquila e provinciana em que todos conheciam-se. O Mar era o Grande atrativo dali, onde o menino começa a aprender a pegar jacaré usando o corpo e as primeiras pranchas de isopor.

Carlos Mudinho com seus templates, experiência de mais 50 anos fabricando pranchas – Foto: Flor Yanez

Nas então despoluídas águas, hoje tão badaladas, mas que na época freqüentada quase só pelos moradores da área, classe média, ou os
que habitavam a Favela do Pinto, às margens da Lagoa, onde localiza-se hoje a ¨Selva de Pedra” .Matriculado no Instituto Nacional de Educação de Surdos , onde aprendeu a falar, e muito, além de estudar, ganha habilidades em vários esportes, como Futebol, Basquete, Judô, Natação etc, iniciado no mundo da competição.

Foi Campeão em todas estas modalidades. Aos nove anos ganhou sua primeira prancha, daquelas de isopor, Planonda, que fez parte das nossas vidas. Mas o Mudinho queria mais, queria ficar de pé nela, como faziam no Arpoador, os jovens mais velhos como Cyro e Irencyr Beltrão (este que criou as pranchas de Madeirit) e namorava sua esposa Ângela -uma das primeiras garotas surfistas brasileiras-, Arduíno Colasanti, Mário Bração, Tito Rosemberg, e outros…Aí nasce para o Esporte o “Mudinho¨, apelido errado para um surdo
falante.

Carlos Mudinho – Foto: Flor Yanez

Para poder surfar de pé, o garoto aí com 13 anos (1962), pegou a Planonda, inverteu-a e colocou uma quilha de compensado, colada com
Araldite e gaze hospitalar, pois fibra de vidro era coisa rara nos sessenta. A invenção deu tão certo, que os veteranos surfistas começaram a respeitar o moleque que conseguia encarar os Tubos do Arpoador, o verdadeiro berço do Surfe Brasileiro como estilo de vida e até moda. Em 1966 participou do primeiro Campeonato no Arpex. Em ’67 foi Campeão deste e considerado Revelação, pudera Né?!?!
Iniciando a carreira Vitoriosa, que o levou para o Mundo. Neste momento, entra na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ,
onde forma-se e tem o diploma entregue por ninguém menos que Oscar
Niemeyer.

Mudinho surfando com classe – Foto: divulgação

Contudo, antes desbravou as desertas e enormes ondas de Saquarema, uma Vila de pescadores, deserta e quase idílica, o Éden do estilo de vida, Surf, Sexo & Rock’n’Roll. Quantos Tubos, Romances e Luaus as areias de Itaúna testemunhou? Em 1971, foi um dos primeiros Surfistas a se estabelecer ali, comprando o terreno na Rua 13, Loteamento Recreio de Nazareth, que pela concentração Aquamen é hoje a Rua dos Surfistas, Nº446, sua Oficina de Shape de Pranchas, que o elevou a um dos melhores construtores delas, com o espírito inovador que traz desde a pré-adolescência, fazendo inovações como as Pranchas de até 7 quilhas.

Sem dúvidas, seus conhecimentos de Arquitetura e Hidrodinâmica foram determinantes para a criação de suas inovações. Suas Vitórias em Campeonatos Brasileiros são inúmeras, mas a do Aberto da Ilha Porchat, São Vicente-SP de ’68, em verdade o primeiro interestadual (talvez brasileiro?) destaca-se, pois usando uma prancha Hawaii model A, do amigo Christian, da Glaspac, deu espetáculo de
manobras com Malabarismos sobre a prancha, que encantaram o público e o sagraram Campeão.

Carlos Mudinho – Foto: Flor Yanez

Dando um salto no tempo, de 1973 a ’74 passou temporada no berço do Surfe no Hawaii. A partis de então, começou a morar no Mundo
Em 1979,com dupla com Ianzinho, tiram 3ºLugar, no Mundial de Times, sendo das primeiras conquistas de Brasileiros no Nível Internacional. Com isso ele parte para Austrália, África do Sul, Europa… acaba passando outras temporadas na Califórnia e Hawaii, sonho dos atletas de então. Até voltar em definitivo para o Brasil. Depois de passar algum tempo em Cabo Frio, Mudinho, foi convocado,
pela Prefeitura de Rio das Ostras, como Professor de alunos com restrição auditiva de Libras, Língua Brasileira de Sinais.

Mudinho foi um dos primeiros a surfar no Pier de Ipanema – Foto: arquivo pessoal

Hoje mora na sua amada Saquarema, voltando a Shapear as suas famosas Pranchas, que sempre aliam perfeccionismo a inovações avantgard, sendo almejadas por quem quer performance e diversão em Alto Nível.Como foi dito, o Mudinho mais falante e comunicativo do Mundo, na verdade surdo, dá exemplo de superação e força de viver. Mostrando a todos nós, que barreiras existem para ser superadas, limitações tem certas vantagens, como alto poder de concentração e que a Vida é luta, a vitória é saber Viver, sempre com a Originalidade.
Mudinho está reabrindo sua Oficina de Shape, onde desenvolverá sua Arte de deslumbrar seus clientes com Pranchas de Alta qualidade e
Performance.

Como encontrar Mudinho?

Rua dos Surfistas, 446 – Nova Itaúna – Saquarema
55 21 998 466 006 (Whatsapp, em mensagem de texto)
Podendo ser contactado através do Everest Peixoto
55 21 996 069 190 (Whatsapp)

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