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Artigo: Surf competição e os novos paradigmas: aéreo vale menos que borda? Por Breno Sivak

Os três campeões mundiais do Brasstorm, ainda ativos no Tour da World Surf League, por terem aprendido a surfar em ondas imperfeitas dos fundos de areia ( beach breaks) , ganharam seus respectivos títulos mundiais por serem os melhores aerealistas do tour.

Escrito por

Breno Sivak

|

Publicado em:

19/04/2023

|

Atualizado em:

22/04/2023

-

18:39

|

3 min de leitura

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Adriano de Souza – campeão mundial de 2015 – Foto: Smorigo

Os três campeões mundiais do Brasstorm, ainda ativos no Tour da World Surf League, por terem aprendido a surfar em ondas imperfeitas dos fundos de areia ( beach breaks) , ganharam seus respectivos títulos mundiais por serem os melhores aerealistas do tour. Board da WSL chamou o head e avisou que não querem mais um aéreo, pequeno ou médio, valendo mais do que duas ou três manobras de borda com inversões e leques d´água – especialidade dos que aprenderam nas ondas perfeitas dos fundos de coral.

Este novo paradigma está influindo direta, clara e obviamente nos números das notas. E como todos que acompanham o CT se acostumaram, nos últimos anos, com ótimas notas para onda com manobra única advindas de algum tipo de aéreo sendo notadas com números na casa do excelente. As redes sociais brazucas estão babando de ódio e raiva dos juízes do world tour.

Filipe Toledo - Foto: Tony Heff

O surf aerialista de Filipe Toledo vem sendo contestado pelos juízes da WSL  – Foto: Tony Heff

Os juízes só fazem o que o head-judge manda, senão é demissão! Head Judge é a posição mais ingrata e difícil de toda a organização que comanda o CT.Championship Tour.

Ele se equilibra entre três navalhas:

– O board (conselho) da WSL, seu patrão.
– Os competidores que só podem reclamar com ele e nunca com os juízes.
– O publico e os fãs cheios de ardor e razões por seus ídolos, vociferando ódios vorazes nas mídias.

O Head tem que ser muito bem treinado técnicamente e preparado psicologicamente para se esquivar destas três “navalhas”…Já o diretor de mídia da WSL adora polêmica pois fomenta as redes aumentando o interesse geral visto que aumentar audiência é o mandamento primeiro da turma da mídia de uma empresa.
Da mesma forma que o corte do meio do ano gerou comentários agressivos e odiosos, ano passado, por ser “injusto”. Injusto em competição tange, exclusivamente, em privilegiar alguém. O corte do meio do ano não privilegia absolutamente nenhum competidor!! Mas é preciso reconhecer que tirou todos os competidores da zona de conforto…

Pritamo Ahrendt, head judge da WSL – Foto: Kelly Cestari

Gerou, como toda a mudança, um risco. Por exemplo, o “Goat” Kelly Slater cair no corte deste ano… Mas que o corte, gostemos ou não, gerou muito mais dedicação e comprometimento ais competidores e muito mais emoção e polêmica para os fãs, não existe dúvida…
E, pra finalizar, João caiu no corte ano passado, lembram?

Mostrou que não se abateu e correu atrás no segundo semestre para se reclassificar-que era a resposta que a WSL dava para quem criticava o corte: – Se o surfista cai por algum motivo, mas tem surf para estar na elite, basta mostrar competindo na divisão de acesso, que ninguém poderá impedir que o mesmo retorne.
Joäo é a prova cabal do acerto do corte, mesmo comigo e contigo não “gostando”…

Joao Chianca

Joao Chianca – Foto: Brent Bielmann/World Surf League)

Chumbinho resolveu trilhar o caminho ofertado pela WSL.

Era claro que todos sabiam que surf não lhe faltava depois de assombrar o mundo naquela bateria contra o J. John, em Pipeline, no tour de 2022.Mas João teria resiliência, humildade e determinação para voltar um passo atrás para se classificar para este ano?

Esta era a dúvida de todos e a manutenção e aceitação definitiva do corte dependia disto para finalizar a polêmica e ser definitivamente ratificada!
João Vitor Chumbinho, escreveu a história. Ele conseguiu voltar e hoje, meses depois de ser cortado, é o líder do circuito mundial, o camisa amarela, o surfista número 1 do mundo!! Contra fatos concretos os gritos de ódio valem, mas apenas como torcida…, nada mais…

Aloha, Breno Sivak

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