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Museu do Surfe Santos: Almir Salazar

Almir Salazar O segundo dos três filhos de Alexandre e Adair, nasceu em Santos, no dia 25 de agosto de 1958. A mãe aproveitava o intervalo dos seus afazeres para levar o pequeno Almir para brincar na praia. A família morava numa casa a duas quadras da praia, na Vilinha da

Escrito por

Gabriel Pierin

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Publicado em:

20/10/2023

|

Atualizado em:

20/10/2023

-

16:02

|

4 min de leitura

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O segundo dos três filhos de Alexandre e Adair, nasceu em Santos, no dia 25 de agosto de 1958. A mãe aproveitava o intervalo dos seus afazeres para levar o pequeno Almir para brincar na praia. A família morava numa casa a duas quadras da praia, na Vilinha da rua Particular Alfredo Ximenes, ao lado da linha férrea. Os Salazar eram vizinhos de Silvério e Zé Moréia, outros ícones do surfe santista.

Almir ficava fascinado pela praia, especialmente pelo canal que cortava a areia até o mar, num tempo em que ainda não existia o Quebra-Mar. Era no Canal 1 que os irmãos Salazar se divertiam pegando suas primeiras ondas. O pai, vendo a empolgação da molecada, decidiu investir. Em 1968, “seo” Bigode tomou a iniciativa e comprou um longboard Glaspac muito velho, por 100 cruzeiros. Os irmãos passaram a dividir as ondas com outros surfistas que frequentavam e eram referências no Canal 1, entre eles, Luiz Zé, Marcos “Tubo”, Homero e Oracio Cocada.

 

 

Os campeonatos que aconteceram em Santos foram marcantes na trajetória de Almir, especialmente os torneios de 1975, 76 e 77, organizados por Carioca e Zanetti. Ele venceu o Nacional Aberto do Quebra-Mar de 1975, e no ano seguinte, em 1976 – com a presença dos surfistas cariocas Rico de Souza e Daniel Friedman, e até de um havaiano, o Keone Downing – Almir repetiu o feito, garantindo o bicampeonato. Em 1977 terminou na segunda colocação. O santista também mantém o título de único tetracampeão paulista profissional (1980/81/82/83) da história. Ele ainda voltaria a conquistar o topo estadual em 1986 e 1987.

Um dos fatos mais inusitados em competições ocorreu nas águas vizinhas. Em São Vicente, Almir disputava uma bateria do Circuito Vicentino (1998-99) com outros três atletas. Naquela altura, quando faltavam cinco minutos pra finalizar a bateria, Almir pegou uma onda e a cordinha estourou. O mar estava grande e não ia dar tempo de nadar até o raso pra resgatar a prancha e tentar uma última onda. O competidor não teve dúvida: pediu a prancha para um dos surfistas que estava próximo e dropou a derradeira onda que lhe rendeu a conquista da bateria. Quem estava na areia ficou sem entender nada.

 

 

Almir sempre foi muito ligado às pranchas e acompanhar a evolução na mudança de materiais – da madeira para a fibra de vidro – e no encurtamento dos velhos pranchões, foi fascinante. Nos anos 1990 apareceram as máquinas que facilitaram o trabalho. Para Almir tudo evoluiu no surfe, mas a transformação das pranchas foi marcante, tanto que o surfista empreenderia na fabricação delas o seu próprio negócio.

No final dos anos 1970, Almir montou sua primeira fábrica na famosa Vilinha. Já nos anos 1980 ele montou a segunda no Morro da Divisa e finalmente a terceira, em São Vicente, quando surgiu a New Advanced Surfboards, em 1987, junto ao Sérgio “Pro-Glass”, parceria que existe até hoje.
Almir conheceu vários picos ao redor do mundo e desbravou outros tantos. Um deles, numa trip inesquecível para o sul de Portugal, na região de Algarves, descobriu Ponta Ruiva, próximo a Portimão, ainda desconhecido pelos brasileiros.

 

Durante os cinco anos em que viveu nas terras lusitanas, onde era shaper da Polen Surfboards, tornou-se o primeiro campeão de surfe profissional português (1992) e vice-campeão europeu (Circuito EPSA). Na categoria Longboard, o santista foi bicampeão português (1992-93).
Toda sua carreira de sucesso no surfe se deve principalmente ao início da sua trajetória, em especial ao apoio do pai, Alexandre Bigode, que arriscou tudo por acreditar no sonho e no potencial dos filhos. A morte do irmão mais velho também foi um divisor de águas, já que Lequinho era um alicerce e uma inspiração para os irmãos Salazar.

 

Almir é casado com Tenyle Salazar e tem cinco filhos: Thiago, Christian, Fabrício, Mariana e Almirzinho. Aos 64 anos de idade, segue surfando e fabricando pranchas de alta qualidade.

 

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