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Waimea 5000, o Brasil no Tour Mundial do Surf Pro

O público que compareceu no sábado, dia 07 de agosto de 1976 foi impressionante. A praia estava lotada e as Pedras do Arpoador tomadas de gente. Não era pra menos.

Escrito por

Gabriel Pierin

|

Publicado em:

14/07/2023

|

Atualizado em:

14/07/2023

-

15:24

|

3 min de leitura

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Waimea 5000 – Frame.

O público que compareceu no sábado, dia 07 de agosto de 1976 foi impressionante. A praia estava lotada e as Pedras do Arpoador tomadas de gente. Não era pra menos. O Brasil sediava a nona etapa do primeiro circuito mundial da IPS – a International Professional Surfers – e as chamadas na TV Globo ajudaram a promover ainda mais o evento.

O Primeiro Campeonato Internacional de Surfe no Brasil, o Waimea 5000, foi disputado no Arpoador, em 1976, em plena ditadura civil-militar. Na ocasião a prática do surfe ainda era restrita pelo governo, mas acabou liberada pela Secretaria de Segurança com apoio da Salvamar para receber os 30 competidores, entre eles grandes surfistas do mundo, como Randy Rarick, Mike Tagawa, Bruce Jones, Jeff Crawford, Tom Parrish e Timmy Carvalho. Eles foram divididos em seis baterias com cinco participantes cada.

Pepe no Arpoador – Foto: arquivo

A organização ficou a cargo de Nelson Machado da Waimea, do cineasta Lívio Bruni Junior e de Flavio Dias e Alberto Pecegueiro da revista Brasil Surf, contou com apoio internacional de Randy Rarick e Fred Hemmings, fundadores da IPS (International Professional Surfers) e premiação em dinheiro bancada pela jeans wear Fjord, a patrocinadora do evento. O famoso Hotel Sheraton foi outro apoiador, servindo como suporte para a organização do evento e hospedagem para os árbitros e surfistas estrangeiros.No domingo, dia 08, o mar subiu, com séries quebrando no Pontão e bons tubos no inside. Nessas condições, o carioca Pepê Lopes venceu essa disputada etapa do circuito mundial.

Na última bateria, ele competiu ao lado do amigo, surfista e shaper Daniel Friedman, outro brasileiro, que terminou na quinta colocação. Jeff Crawford, da Flórida (EUA), ficou em segundo, seguido dos havaianos Timmy Carvalho e Buzzy Kerbox, terceiro e quarto colocados, respectivamente. O também havaiano Glenn Kaulukukui fechou a bateria na sexta e última colocação. A categoria feminina contou com a organização da Rico Surfboards e recebeu o nome de Rico Woman´s Pro Contest. A vencedora foi a havaiana Becky Benson.

Daniel Friedmann – Foto: arquivo

No ano seguinte, a final foi 100% brasileira. Daniel Friedman terminaria em primeiro, seguido de Pepê em segundo. Outro surfista brasileiro destaque na história do Waimea 5000 foi Ismael Miranda, lenda do surfe carioca e amigo de Pepê, finalista em 1980. O Waimea 5000, de 1981, na sua penúltima edição, teve o santista Picuruta Salazar na quinta colocação. Na época a maioria dos surfistas ainda não tinha patrocinadores, apenas a marca de suas pranchas. Além de elevar o patamar do país no surfe mundial, o Waimea 5000 proporcionou uma novidade: a logomarca do Jornal do Brasil na prancha de Pepê.

Outro legado do Primeiro Campeonato Internacional no Brasil foi o filme Nas Ondas do Surf. A ideia surgiu de uma conversa de Lívio com Maraca e Gustavo Carreira, na ocasião da organização do torneio.Naquele ano de 1976, depois de 14 etapas, o circuito terminou com australiano Peter Townend campeão mundial do primeiro IPS. Apesar de não ter vencido nenhuma das etapas, o surfista foi o mais consistente durante toda a competição.

Equipe Rico – esq. para dir. Otávio Pacheco, Rico, Cauli Rodrigues e Ricardo Bocão – Foto: arquivo.

Os campeonatos Waimea 5000 marcaram o surfe brasileiro como as primeiras etapas válidas pelo Circuito Mundial de Surf Profissional em nosso país. Eles foram realizados a partir de 1976 e saíram de cena em 1982, quando foi realizada a última edição, deixando saudades e a lembrança das multidões no Arpoador.

Colaboração: Reinaldo Andraus, o Dragão. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos
Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi – o Pardhal

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