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A Remada de Rodrigo de Deus

Quando era criança, Rodrigo corria das ondas com medo. Ele ainda não sabia, mas passaria a vida dentro da água, treinando surfistas para vencer a turbulência das ondas e garantir a integridade física e mental na adversidade do mar.

Escrito por

Gabriel Pierin

|

Publicado em:

05/03/2024

|

Atualizado em:

05/03/2024

-

16:59

|

4 min de leitura

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Rodrigo de Deus – Foto: divulgação.

Rodrigo leva o nome de Deus da sua mãe, Célia Rosa de Deus Campos. A montealegrense conheceu o marido, Pedro Domingos de Campos, no Itapema, em Guarujá. Os dois se casaram e foram morar no BNH, conjunto habitacional de Santos. Lá nasceram os filhos Ana Paula e Rodrigo de Deus Campos, em 12 de dezembro de 1975.
Rodrigo deu seus primeiros mergulhos no mar do bairro da Aparecida. Aos 12, a família mudou-se para o Gonzaga e Rodrigo passou a acompanhar o movimento do surfe em frente a A.D. Moreira, onde fez dos surfistas Marcos Quito, Adriano Teco, Eduardo Sapienza, Fábio Bina, além do Luke Franco e Jair de Oliveira, seus amigos e maiores influências. Na época, Rodrigo era jogador de hóquei no Clube Internacional de Regatas, mas o surfe o fisgou e a prancha passou a ser seu sonho de consumo, enquanto tomava as pranchas emprestadas.

Rodrigo de Deus – Foto: divulgação.

Rodrigo começou a trabalhar aos 14 anos na Eletropaulo. Com o dinheiro do seu segundo salário comprou uma Dolphin Surfboards. Dividido entre o trabalho e os estudos no SENAI, ele só conseguia surfar aos fins de semana e feriado. Rodrigo permaneceria por 10 anos na Eletropaulo. Quando deixou a empresa, passou uma temporada em Maresias e na sua volta a Santos tentou um lava-rápido, empreendimento que não deu certo. Nessa época, o amigo Teco estava cursando o 2º ano da Faculdade de Educação Física, junto a outros grandes nomes do esporte santista, um celeiro de atletas, como Oscar Galíndez, Carla Moreno, Paulo Miyasiro, Poliana Okimoto, entre outros. Teco foi um grande incentivador para o ingresso de Rodrigo na universidade, um sonho distante para o caçula de uma família sem nenhum diploma universitário. Rodrigo foi o primeiro. A decisão mostrou-se acertada e os frutos foram colhidos logo depois de formado.

Rodrigo de Deus – Foto: divulgação.

 

A grande virada ocorreu quando Rodrigo assumiu o Integral Surf Training, há exatos 18 anos. Desde 2006 ele está a frente do treinamento criado cinco anos antes por Marcello Arias Danucalov e Flávio Ascânio, como parte da Unipran – Universidade da Prancha. O treinamento era um braço do Curso de Extensão em Ciências Aplicadas aos Esportes de Prancha, promovido pela universidade, com apoio de Valdir Lanza, reitor da Unimonte. O Integral Surf Training compreendia sua principal atividade aquática, a big remada, e no solo, musculação e yoga completava a preparação física, sob a coordenação do idealizador Marcello Arias Danucalov, com os professores Adriano Teco, Daniel Cortez, Fábio Matos e Luke Franco. Rodrigo era um aluno fiel e apaixonado, que tinha como colegas profissionais e atletas como Picuruta Salazar, Daniel Miranda, Marcos Quito, Paulo e Eduardo Lichtner. Em 2003 o treinamento foi interrompido, para finalmente voltar pelas suas mãos em 2006.

 

Rodrigo de Deus – Foto: divulgação.

Com o aval do mentor, Marcelo Arias Danucalov, o educador físico Rodrigo de Deus, professor de musculação e spinning da Unimonte, fez uma pesquisa para calcular a adesão ao retorno da modalidade. A gratuidade atraiu 28 pessoas para a água no primeiro mês, em janeiro de 2006. Um sucesso! Porém um mês depois, o número caiu pela metade e os 14 pagantes não garantiam a permanência do horário para Rodrigo. Ele entrou como o 15º aluno pagante e cumpriu o pagamento, dando início ao curso. De lá para cá, muita remada e alguns caldos: a academia da Unimonte virou Krato em 2010, depois a Integral passou para a Fit Santos, AABB, Bola de Neve e finalmente o Brasil Futebol Clube, a partir de 2015.

Rodrigo não parou por aí. O professor que também foi competidor SUP, vice-campeão paulista (2012) e Campeão Santista (2013), participou e promoveu diversos eventos aquáticos. Em 2006 ele abriu a categoria longboard na remada do Biathlon solidário. Tempos depois foi a vez do StandUp Padle fazer parte da competição. Em 2008 um vídeo de uma prova no Havaí foi a chama para seu projeto mais ousado: o Festival da Remada. De 2008 para cá foram 6 edições. O evento já trouxe mais de 370 participantes em uma única edição com mais de 10 modalidades de remo.

Aulas na piscina – Foto: divulgação.

Quando estava na faculdade, Rodrigo participou de um concurso interno. O Garoto Unimonte tinha que levar um objeto e formular uma frase sobre ele. Rodrigo levou sua prancha e declarou: “Minha prancha é meu objeto de prazer, de lazer, que deixa meu corpo e minha mente em harmonia”. Aos 48 anos, o jovem que subia nos postes para fazer cabeamento de luz e acreditava que se aposentaria na Eletropaulo, hoje passa a maior parte do dia na água iluminando e conscientizando seus alunos para uma vida com o corpo e a mente em harmonia.

Rodrigo tem 48 anos, é casado com Daniela Soares Thibes, mãe de Giuliana Thibes, sua enteada. Juntos, Rodrigo e Daniela são pais de Davi Thibes de Deus, de quatro anos.

 

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